O Corpo em mim (2019)

O Corpo em Mim, é um projecto que desenvolvi em parceria com quatro bailarinos da Escola de Dança Backstage (Braga), que consiste num conjunto de fotografias estereoscópicas, representando esculturas humanas envolvidas física e emocionalmente com sólidos geométricos, denominados Sólidos Platónicos. Estes sólidos, também designados de poliedros regulares, são cinco e possuem características próprias: o número das arestas é igual em todas as faces e em cada vértice concorre o mesmo número de faces ou arestas. Platão estabeleceu uma relação entre estes sólidos e a construção do mundo, associando-os aos elementos da Natureza, nomeadamente o Tetraedro ao Fogo, o Hexaedro à Terra, o Octaedro ao Ar, o Icosaedro à Água e o Dodecaedro ao Universo.

As fotografias apresentadas estão divididas em duas partes:

  • 4 Fantogramas fotográficos em anáglifo, impressos em pequeno formato (50cm x 50cm), expostos na horizontal em plintos, (50cm x 50cm x 40cm,) para serem vistos a 45 graus, com óculos de filtro vermelho e cyan, de modo a proporcionar ao visitante, a possibilidade de tocar e interagir com as imagens.
  • 7 Fotografias estereoscópicas em anáglifo projectadas na parede (ou impressas em grande formato),  para serem vistas com óculos de filtro vermelho e cyan.
O tamanho das fotografias apresentadas, tem como objectivo alterar e deformar a escala humana, por um lado reduzindo-a à sua insignificância relativamente à natureza e ao universo, explícito nos fantogramas fotográficos, e por outro realçar a interferência humana nos elementos da natureza, representadas nas fotografias projectadas ou impressas em grande formato na parede. O número de fotografias, sete para a projecção e quatro impressas, foi pensado e escolhido por o número sete representar simbolicamente a totalidade, a perfeição, a consciência, a espiritualidade e a vontade, bem como a renovação. Representa também o fim de um ciclo e o começo de outro. O número quatro, segundo a Bíblia, no Livro do Apocalipse indica a ideia de universalidade, onde o número é mencionado para representar diversas situações: os 4 cavaleiros que trazem as 4 pragas maiores; os 4 anjos destruidores que ocupam lugar nos 4 cantos da terra;  os ensinamentos de Brama, deus do trinário hindu, também são divididos em 4 partes – regiões do espaço, os mundos, as luzes e os sentidos; as quatro direções cardeais: norte, sul, leste e oeste; as quatro estações do ano – primavera, verão, outono e inverno; as 4 fases da vida humana – infância, juventude, maturidade e velhice, e por fim, os quatro elementos da Natureza – ar, fogo, água e terra.  As duas fotografias sem sólidos, representam a ruptura, o vazio e a ausência de equilíbrio no universo perante a inexistência dos quatro elementos. O número onze (totalidade das fotografias), segundo a numerologia representa a renovação dos ciclos da vida. A existência humana neste mundo deve ser pensada e ajustada à Natureza de modo a que as duas possam continuar a permanecer no Universo em equilíbrio.    

FANTOGRAMAS

Bailarinos: Júlio Cerdeira e Inês Barroso / Sólido: Dodecaedro (Universo)

 

Bailarina: Rosália Passinhas / Sólido: Tetraedro (Fogo)

 

Bailarina: Isabel Almeida / Sólido: Hexaedro – cubo (Terra)

 

Bailarinos: Júlio Cerdeira e Inês Barroso / Sólido: Tetraedro (Fogo)

 

PROJECÇÕES ou FOTOGRAFIAS DE PAREDE

Bailarino: Júlio Cerdeira / Sólido: Icosaedro (Água)

Bailarinos: Júlio Cerdeira , Rosália Passinhas, Isabel Almeida e Inês Barroso / Sólido: Octaedro (Ar)

Bailarinos: Rosália Passinhas e Júlio Cerdeira / Sólido: Tetraedro (Fogo)

Bailarinos: Júlio Cerdeira, Inês Barroso e Isabel Almeida / Sólido: Icosaedro (Água)

Bailarinos: Júlio Cerdeira e Inês Barroso / Sólido: Hexaedro – cubo  (Terra)

 

Bailarinos: Isabel Almeida, Júlio Cerdeira, Rosália Passinhas e Inês Barroso

Bailarino: Júlio Cerdeira